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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

História da Igreja Parte 04.

A IGREJA REFORMADA

DE CONSTANTINOPLA, 1453 ATÉ AO FIM DA GUERRA DOS TRINTA ANOS, 1648
Século XV - Cronologia
1453 - Tomada de Constantinopla pelos turcos põe fim ao Império Bizantino
1467 - A Igreja da Boêmia separa-se da Igreja Romana
1471 - O papa Paulo II tem uma controversa morte após ingerir dois melões
1483 - O monge dominicano Tomás de Torquemada, o maior inquisidor da história, é nomeado Grande Inquisidor de Castela
1487 - Dois monges dominicanos alemães lançam um manual para inquisidores
1492 - A Inquisição e a monarquia católica expulsam os judeus da Espanha
1496 - A Igreja Católica expulsa de Portugal todos os judeus
1498 - O frade dominicano Jerônimo de Savonarola é decapitado pela Inquisição em Florença (Itália)
1499 - O inquisidor católico Diego Lucero queima 107 judeus em um único dia
1500 - 1ª missa celebrada no Brasil
Século XVI - Cronologia
1501 - O papa Alexandre VI promove grande orgia de sexo no Vaticano
1503 - Alexandre VI é morto após ingerir arsênico destinado à outra pessoa
1504 - Bartolomeu de Las Casas inicia missão católica no México
1506 - Inquisição Católica mata 3.000 judeus em Portugal
1512 - V Concílio de Latrão
1513 - Leão X assume papado aos 13 anos de idade
1513 - É fundada a 1ª diocese na América, em Dárien, Panamá
1516 - Início da Inquisição Católica em Cuba
1516 - Carlos I (Espanha) é coroado imperador do Sacro Império pelo papa Leão X, vencendo na disputa Francisco I (França)
1517 - Na Alemanha, Igreja Católica vende Indulgências para a construção da Basílica de São Pedro
1517 - Lutero lança suas 95 teses contra a Igreja Católica
1521 - O papa Leão X excomunga Lutero do catolicismo romano
1522 - Lutero traduz e publica o 1º Novo Testamento da Bíblia em alemão
1522 - Adriano VI (espanhol) assume papado e torna-se o último papa não italiano até João Paulo II (1978)
1523-25 - Rebelião anabatista (protestante) de Münzer contra a aristocracia alemã, apoiada por Lutero
1525 - O Antigo Testamento é dividido em versículos
1526 - Igreja Católica persegue judeus na Hungria
1527 - Soldados protestantes atacam Roma: 40.000 pessoas morrem na batalha
1528 - Na Escócia, líder protestante Hamilton é queimado pela Inquisição
1529 - A Dieta de Spira exige a tolerância aos católicos nos Estados luteranos, mas proíbe o culto luterano nos Estados católicos
1529 - Príncipes alemães protestam contra medidas católicas que proíbem que cada Estado tenham sua própria religião
1530 - Na Confissão de Augsburgo, Lutero lança os princípios básicos de sua doutrina
1530 - A Reforma Luterana chega na Dinamarca
1531 - Henrique VIII da Inglaterra é reconhecido como chefe supremo da igreja inglesa. Nasce o Anglicanismo
1531 - Guerra entre católicos e protestantes na Suíça. Zwínglio (líder protestante) morre na batalha de Kappel
1531 - O Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) se estabelece em Portugal
1533 - Instituição do bispado de Goa (Índia)
1534 - Calvino, fugindo da Inquisição, vai da França para a Suíça
1534 - Inácio de Loyola cria a Companhia de Jesus (Ordem dos Jesuítas)
1534 - Henrique VIII decapita os católicos Thomas More e John Fisher
1536 - Oficialmente tem início a Inquisição Católica em Portugal
1536 - Calvino publica sua principal obra onde defende a teoria da predestinação
1536 - A Reforma protestante chega à Noruega
1540 - O papa Paulo II reconhece a criação da Ordem dos Jesuítas
1541 - Calvino funda a Igreja Calvinista (futura Igreja Presbiteriana)
1541 - O missionário católico Francisco Xavier vai para a Índia
1541-60 - Calvino torna-se governante absoluto em Genebra, na Suíça, onde inicia perseguição
1543 - Parlamento escocês autoriza a leitura e a tradução da Bíblia
1543 - Lutero publica a Bíblia completa em alemão
1545-63 - Concílio de Trento, a importância da tradição é equiparada com a Bíblia.
1546 - Na Escócia, Inquisição queima Wishart. Protestantes vingam-se matando cardeal católico
1547-53 - Missas são proibidas em território inglês
1549 - O missionário católico Francisco Xavier vai para o Japão
1550 - O papa Júlio III manda decapitar Arasão, bispo da Islândia
1551 - Toda a Bíblia é dividida em versículos
1553 - A rainha Maria Tudor restaura o catolicismo como religião oficial da Inglaterra
1553 - O padre José de Anchieta chega ao Brasil
1553 - 3 bispos convocados pelo papa Júlio III, após investigação, concluem que o catolicismo está cheio de doutrinas anti-bíblicas
1555 - É impressa a 1ª Bíblia dividida em versículos
1555 - Paz de Augsburgo: nobreza luterana consegue que cada principado tenha a sua própria fé
1555 - Inquisição Católica na Inglaterra: martírio dos líderes protestantes Latimer e Ridley
1557 - 1° culto protestante celebrado no Brasil
1558 - Na Escócia, John Knox funda a Igreja Presbiteriana
1558 - É escrita a 1ª Confissão de Fé das Américas por 4 missionários protestantes franceses, martirizados no Rio de Janeiro
1562 - O Igreja Católica confirma o culto aos santos e declara que a missa é oferta propiciatória
1562 - Massacre de Orange: inúmeros protestantes torturados e mortos pela Inquisição
1562 - Lei concede liberdade religiosa aos hunguenotes da França, mas proíbe a construção de templos
1564 - A Igreja Católica publica o 1° Index (relação dos livros proibidos)
1570-71 - Esquadras calvinistas afundam navios que traziam missionários católicos ao Brasil
1572 - Noite de São Bartolomeu: de 20 mil a 70 mil protestantes são assassinatos em Paris pela Inquisição
1573 - A Igreja Católica altera a Bíblia original com a canonicidade de 7 livros apócrifos
1578 - O suposto "Santo Sudário" chega a catedral de São João Batista
1586 - O papa Sixto V coloca obelisco pagão egípcio que encontra-se em frente à Basílica de São Pedro
1590 - O papa Sixto V lança a "Vulgata Sixtina"
1591 - Início da Inquisição Católica no Brasil
1592 - O papa Clemente VIII fala que a Bíblia de Sixto V estava cheio de erros e lança a "Vulgata Clementina"
1592-95 - O papa Clemente VIII falsifica a história alterando o nome da papisa Joana para Zacarias
1593 - O Edito de Nantes concede liberdade de culto aos protestantes franceses
1596 - Missionários católicos são perseguidos no Japão
1600 - O cientista Giordano Bruno é queimado vivo em Roma pela Inquisição
Século XVII - Cronologia
1604 - Nasce na Inglaterra a Igreja Batista
1606 - O jesuíta Roberto de Nobili chega à Índia
1609 - Inquisição Católica expulsa da Espanha os mouros
1611 - A "Versão King James" da Bíblia em inglês é lançada
1615 - O papa Paulo V permite aos missionários na China usarem a língua chinesa na celebração da missa
1615 - Monges franciscanos vão para o Canadá
1618-48 - Reis católicos de Habsbourg perseguem súditos protestantes. Perseguição gera violenta guerra de 30 anos
1620 - As missões protestantes chegam às 13 colônias (Estados Unidos)
1632 - Galileu é condenado pela Inquisição Católica
1642-48 - Guerra civil na Inglaterra: nobreza católica e anglicana vs. camponeses presbiterianos e puritanos
* A Reforma na Alemanha.
Neste periodo de duzentos anos, o grande acontecimento foi a Reforma; iniciada na Alemanha, e teve como resultado o estabelecimento de igrejas nacionais que não prestavam obediência nem fidelidade a Roma. Anotemos algumas das forças que conduziram à Reforma e ajudaram o seu progresso. Uma dessas forças foi, o movimento conhecido como Renascença, ou despertar da Europa para um novo interesse pela literatura, pelas artes e pela ciência, isto é, a transformação dos médodos e propósitos medievais em métodos modernos.
A maioria dos estudiosos italianos desse período eram homem destituídos de vida religiosa; até os próprios papas dessa época destacavam-se mais por sua cultura do que pela fé. No norte dos Alpes, na Alemanha, na Inglaterra, e na França o movimento possuía sentimento religioso, despertando novo interesse pelas Escrituras, pelas línguas grega e hebraica, levando o povo a investigar os verdadeiros fundamentos da fé, independente dos dogmas de Roma. Por toda parte, de norte a sul, a Renascença solapava a igreja católica romana.
A invenção da imprensa veio a ser um arauto e aliado da Reforma que se aproximava. A imprensa possibilitou o uso comum das Escrituras, e incentivou a tradução e a circulação da Bíblia em todos os idiomas da Europa. As pessoas que liam a Bíblia, prontamente se convenciam de que a igreja papal estava muito distanciada do ideal do Novo Testamento. Os novos ensinos dos Reformadores, logo que eram escritos, também eram logo publicados em livros e folhetos, e circulavam aos milhões em toda a Europa.
O patriotismo dos povos começou a manifestar-se, mostrando-se inconformados com a autoridade estrangeira sobre suas próprias igrejas nacionais; resistindo à nomeação de bispos, abades e dignitários da igreja feitas por um papa que vivia em um pais distante.
Não se conformava, o povo, com a contribuição do "óbolo de S. Pedro", para sustentar o papa e para a construção de majestosos templos em Roma. Havia uma determinação de reduzir o poder dos concílios eclesiásticos, colocando o clero sob o poder das mesmas leis e tribunais que serviam para os leigos.
Enquanto o espírito de reforma e de independência despertava a Europa, a chama desse movimento começou a arder primeiramente na Alemanha, no eleitorado da Saxônia, sob a direção de Martinho Lutero, monge e professor da Universidade de Wittenberg.
O papa reinante, Leão X, em razão da necessidade de avultadas somas para terminar as obras do templo de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu enviado, João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas pelo papa, as quais, dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos amigos, mortos ou vivos, em cujo nome fossem as bulas compradas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Tetzel fazia esta indagação ao povo: "Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu." Lutero, por sua vez, começou a pregar contra Tetzel e sua campanha de venda de indulgências, denunciando como falso esse ensino.
A data exata fixada pelos historiadores como início da grande Reforma foi registrada como 31 de outubro de 1517. Na manhã desse dia, Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg um pergaminho que continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências; porém em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio. Os dirigentes da igreja procuravam em vão restringir e lisonjear Martinho Lutero. Ele, porém, permaneceu firme, e os ataques que lhe dirigiam, apenas serviram para tornar mais resoluta sua oposição às doutrinas não apoiadas nas Escrituras Sagradas.
Após longas e prolongadas controvérsias e a publicação de folhetos que tornaram conhecidas as opiniões de Lutero em toda a Alemanha, seus ensinos foram formalmente condenados. Lutero foi excomungado por uma bula do papa Leão X, no mês de junho de 1520. Pediram então ao eleitor Frederico da Saxônia que entregasse preso Lutero, a fim de ser julgado e castigado. Entretanto, em vez de entregar Lutero, Frederico deu-lhe ampla proteção, pois simpatizava com suas idéias. Martinho Lutero recebeu a excomunhão como um desafio, classificando-a de "bula execrável do anticristo". No dia 10 de dezembro, Lutero queimou a bula, em reunião pública, à porta de Wittemberg, diante de uma assembléia de professores, estudantes e do povo. Juntamente com a bula, Lutero queimou também cópias dos cânones ou leis estabelecidas por autoridades romanas. Esse ato constituiu a renúncia definitiva de Lutero à igreja católica romana.
Em 1521 Lutero foi citado a comparecer ante a do Concílio Supremo do Reno. O novo imperador Carlos V concedeu um salvo-conduto a Lutero, para comparecer a Worms. Apesar de advertido por seus amigos de que poderia ter a mesma sorte de João Huss, que nas mesmas circunstâncias, no Concílio de Constança, em 1415, apesar de possuir um salvo-conduto, foi morto por seus inimigos, Lutero respondeu-lhes: "Irei a Worms ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados." Finalmente, no dia 17 de abril de 1521 Lutero compareceu ao Concílio. Em resposta a um pedido de que se retratasse, e renegasse o que havia escrito, após algumas considerações respondeu que não podia retratar-se, a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão, e terminou com estas palavras: "Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém." Instaram com o imperador Carlos para que prendesse Lutero, apresentando como razão, que a fé não podia ser confiada a hereges. Contudo, Lutero pôde deixar Worms em paz.
Enquanto viajava de regresso à sua cidade, Lutero foi cercado e levado por soldados do eleitor Frederico para o castelo de Wartzburg. Ali permaneceu durante um ano, enquanto as tempestades de guerra e revoltas rugiam no império. Entretanto, durante esse tempo, Lutero não permaneceu ocioso; nesse período traduziu o Novo Testamento para a lingua alemã, obra que por si só o teria imortalizado, pois essa versão é considerada como o fundamento do idioma alemão escrito. Isto aconteceu no ano de 1521. O Antigo Testamento só foi completado alguns anos mais tarde. Ao regressar do castelo de Wartzburg a Wittenberg, Lutero reassumiu a direção do movimento a favor da igreja Reformada, exatamente a tempo de salvá-la de excessos extravagantes.
Em 1529 a Dieta reuniu-se na cidade de Espira, com o objetivo de reconciliar as partes em luta. Nessa reunião da Dieta os governadores católicos, que tinham maioria, condenaram as doutrinas de Lutero. Os príncipes resolveram proibir qualquer ensino do luteranismo nos estados em que dominassem os católicos. Ao mesmo tempo determinaram que nos estados em que governassem luteranos, os católicos poderiam exercer livremente sua religião. Os príncipes luteranos protestaram contra essa lei desequilibrada e odiosa. Desde esse tempo ficaram conhecidos como protestantes, e as doutrinas que defendiam também ficaram conhecidas como religião protestante.
* A Contra-Reforma
Logo após haver-se iniciado o movimento da Reforma, um poderoso esforço foi também iniciado pela igreja católica romana no sentido de recuperar o terreno perdido, para destruir a fé protestante e para enviar missões a países estrangeiros. Esse movimento foi chamado Contra-Reforma.
Tentou-se fazer a reforma dentro da própria igreja por via do Concílio de Trento, convocado no ano de 1545 pelo papa Paulo III, principalmente com o objetivo de investigar os motivos e pôr fim aos abusos que deram causa à Reforma. O Concílio era composto de todos os bispos e abades da igreja, e durou quase vinte anos, durante os governos de quatro papas, de 1545 a 1563. Todos esperavam que a separação entre católicos e protestantes teria fim, e que a igreja ficaria outra vez unida. Contudo, tal coisa não sucedeu. Fizeram-se, porém, muitas reformas na igreja católica e as doutrinas foram definitivamente estabelecidas. Os próprios protestantes admitem que depois do Concílio de Trento os papas se conduziram com mais acerto do que os que governaram antes do Concílio. O resultado dessa reunião pode ser considerado como uma reforma conservadora dentro da igreja católica romana.
De ainda maior influência na Contra-Reforma foi a Ordem dos Jesuítas, fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola. Era uma ordem monástica caracterizada pela combinação da mais severa disciplina, intensa lealdade à igreja e à Ordem, profunda devoção religiosa, e um marcado esforço para arrebanhar prosélitos. Seu principal objetivo era combater o movimento protestante, tanto com métodos conhecidos como com formas secretas. Tornou-se tão poderosa a Ordem dos Jesuítas, que teve contra ela a oposição mais severa, até mesmo nos países católicos; foi suprimida em quase todos os países da Europa, e por decreto do papa Clemente XIV, no ano de 1773, a Ordem dos Jesuítas foi proibida de funcionar dentro da igreja. Apesar desse fato, ela continuou a funcionar, secretamente durante algum tempo, mais tarde abertamente, e foi reconhecida pelo papa em 1814. Hoje é uma das forças mais ativas para divulgar e fortalecer a igreja católica romana em todo o mundo.
A perseguição ativa foi outra arma poderosa usada para impedir o crescente espírito da Reforma. É Certo que os protestantes também perseguiram, e até mataram, porém geralmente isso aconteceu por sentimentos políticos e não religiosos. Entretanto, no continente europeu, todos os governos católicos preocupavam-se em extirpar a fé protestante, usando para isso a espada. Na Espanha estabelceu-se a Inquisição, por meio da qual inumerável multidão sofreu torturas e muitas pessoas foram queimadas vivas. Nos Países-Baixos o governo espanhol determinou matar todos aqueles que fossem suspeitos de heresias. Na França o espírito de perseguição alcançou o clímax, na matança da noite de São Bartolomeu, 24 de agosto de 1572, e que se prolongou por várias semanas. Segundo o cálculo de alguns historiadores, morreram de vinte a setenta mil pessoas. Essas perseguições nos países em que o governo não era protestante não só retardavam a marcha da Reforma, mas, em alguns países, principalmente na Boêmia e na Espanha, a extinguiram.
Os esforços missionários da igreja católica romana devem ser recõnhecidos, também, como uma das forças da Contra-Reforma. Esses esforços eram dirigidos em sua maioria pelos jesuítas, e tiveram como resultado a conversão das raças nativas da América do Sul, do México e de grande parte do Canadá. Na India e países circunvizinhos estabeleceram-se missões por intermédio de Francisco Xavier, um dos fundadores da sociedade dos jesuítas. As missões católicas, nos países pagãos, iniciaram-se séculos antes das missões protestantes e conquistaram grande número de membros e bem assim poder para a respectiva igreja.
Como resultado inevitável de interesses e propósitos contrários dos estados da Reforma e católicos na Alemanha, iniciou-se então uma guerra no ano de 1618, isto é, um século depois da Reforma. Essa guerra envolveu quase todas as nações européias. Na história ela é conhecida como a Guerra dos Trinta Anos. As rivalidades políticas e religiosas estavam ligadas a essa guerra. Ás vezes estados que professavam a mesma fé, apoiavam partidos contrários. A luta estendeu-se durante quase. uma geração, e toda a Alemanha sofreu ou seus efeitos terríveis.
Finalmente, em 1648, a guerra terminou, com a assinatura do tratado de paz de Westfália, que fixou os limites dos estados católicos e protestantes, que duram até hoje. O periodo da Reforma pode ser considerado terminado nesse ponto.

Também chamada de Santo Ofício, INQUISIÇÃO era a designação dada a um tribunal eclesiástico, vigente na Idade Média e começos dos tempos modernos. Esse Tribunal, instituído pela Igreja Católica Romana, tinha por meta prioritária julgar e condenar os hereges. A palavra "herege" significa aquele que escolhe, que professa doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja como sendo matéria de fé. Então, todos os que se rebelavam contra a autoridade papal ou faziam qualquer espécie de crítica à Igreja de Roma eram considerados hereges.

* O Massacre De São Bartolomeu
O massacre de São Bartolomeu ou a Noite de São Bartolomeu ficou conhecido como "a mais horrível entre as ações diabólicas de todos os séculos". Com a concordância do Papa Gregório XIII, o rei da França, Carlos IX, eliminou em poucos dias milhares de huguenotes. A matança iniciou-se na noite de 24.08.1572, em Paris, e se estendeu a todas as cidades onde se encontravam protestantes. Segundo Ellen G. Write, em seu Livro "O GRANDE CONFLITO", foram martirizados cerca de setenta mil nesse massacre. "Quando a notícia do massacre chegou a Roma, a alegria do clero não teve limites. O cardeal de Lorena recompensou o mensageiro com mil coroas; o canhão de Santo Ângelo reboou em alegre salva; os sinos dobraram em todos os campanários; e o Papa Gregório XIII, acompanhado dos cardeais e outros dignitários eclesiásticos, foi, em longa procissão, à igreja de S.Luís, onde o cardeal de Lorena cantou o Te Deum. Um sacerdote falou "daquele dia tão cheio de felicidade e regozijo, em que o santíssimo padre recebeu a notícia e foi em aparato solene dar graças a Deus e a S.Luís".
* O Massacre Dos Albigenses
Albigenses eram os nascidos na cidade de Albi, sul da França. Em 1198, por iniciativa do Papa Inocêncio III, foram instituídos "Os Inquisidores da Fé contra os Albigenses". Esses franceses foram considerados "hereges" porque seus ensinos doutrinários não se alinhavam com os da Igreja de Roma. O extermínio começou no ano de 1209 e se estendeu por 20 anos, quando milhares de albigenses pereceram. Fala-se em mais de 20.000 mortos, entre homens, mulheres e crianças.
* O Massacre Da Espanha
Tomás de Torquemada (1420-1498), espanhol, padre dominicano, nomeado para cargo de grande-inquisidor pelo Papa Sisto IV, dirigiu as operações do Tribunal do Santo Ofício durante 14 anos. "Celebrizou-se por seu fanatismo religioso e crueldade". De mãos dadas com os reis católicos, promoveu a expulsão dos judeus da Espanha por édito real de 31.03.1492, tendo estes o prazo reduzido de quatro meses para se retirarem do país sem levar dinheiro, ouro ou prata. É acusado de haver condenado à fogueira 10.220 pessoas, e cerca de 100.000 foram encarceradas, banidas ou perderam haveres e fazendas. Tudo em nome da fé católica e da honra de Jesus Cristo.
* O Massacre Dos Anabatistas
Grupo religioso iniciado na Inglaterra no século XVI, que defendia o batismo somente de pessoa adulta. Por autorização do Papa Pio V (1566-1572), cem mil foram exterminados.
* O Massacre Em Portugal
Diante dos insistentes pedidos de D. João III, o Papa Paulo III introduziu, por bula de 1536, o Tribunal do Santo Ofício em Portugal. As perseguições foram de tal ordem que o comércio e a indústria na Espanha e em Portugal ficaram praticamente paralisados. "As execuções públicas eram conhecidas como autos-de-fé. No começo, funcionaram tribunais da Inquisição nas diversas dioceses de Portugal, mas no século XVI ficaram apenas os de Lisboa, Coimbra e Évora. Depois, somente o da capital do reino, presidido pelo inquisidor-geral. Até 1732, em Portugal, o número de sentenciados atingiu 23.068, dos quais 1.554 condenados à morte. Na torre do Tombo, em Lisboa, estão registrados mais de 36.000 processos". Daí porque os 4.500 processos constantes dos arquivos de terror do Vaticano - Os Arquivos do Santo Ofício - recentemente liberados aos pesquisadores, não contam toda a história da desumana Inquisição.
* A Inquisição Em Cuba
Não havia parte nenhuma no mundo onde os protestantes ou hereges estivessem livres para o exercício de sua fé. Partindo da Europa, muitos procuraram refúgio nas Américas do Sul e Central, o "Novo Mundo". Mas para cá também vieram os inquisidores. A inquisição em Cuba iniciou-se em 1516 sob o comando de dom Juan de Quevedo, bispo de Cuba, que, com requintes de maldade, eliminou setenta e cinco "hereges".
* A Inquisição No Brasil
A Inquisição se instalou no Brasil em três ocasiões: Em 09.06.1591, na Bahia, por três anos; em Pernambuco, de 1593 a 1595; e novamente na Bahia, em 1618. Há notícia de que no século XVIII Inquisição atuou no Brasil. Segundo o jornal "Mensageiro da Paz", número 1334, de maio/1998, "cento e trinta e nove" pessoas foram queimadas vivas, no Brasil, entre os anos de 1721 e 1777. Todos os que confessavam não crer nos dogmas católicos eram sentenciados. Praticamente a metade dos prisioneiros brasileiros cristãos-novos no século 18 era mulheres. Na Paraíba, Guiomar Nunes foi condenada à morte na fogueira em um processo julgado em Lisboa. A Inquisição interferiu profundamente na vida colonial brasileira durante mais de dois séculos. Um dos exemplos dessa interferência era a perseguição aos descendentes de judeus. Os que estavam nessa condição podiam ser punidos com a morte, confisco dos bens e na melhor das hipóteses ficavam impedidos de assumir cargos públicos".

História da Igreja Parte 03.

A IGREJA MEDIEVAL
DE ROMA EM 476 AD ATÉ A QUEDA DE CONSTANTINOPLA, 1453 AD.
Século V - Cronologia
478 - Perseguição dos vândalos aos católicos romanos
482 - Zenão publica o Henoticom, para fazer as pazes com os monofisistas e católicos ortodoxos
484 - Cisma de Acácio: Félix III, bispo de Roma, excomunga Acácio, patriarca dos ortodoxos
491 - A Igreja da Armênia adota o monofisismo
496 - Batismo de Clóvis (dinastia merovíngia), rei dos francos, que se converte ao cristianismo
498 - Conflito entre Símaco e Lourenço: ambos intitulavam-se bispo de Roma
Século VI - Cronologia
501 - Batalha sangrenta em Roma pela supremacia do episcopado romano entre Símaco e Lourenço
503 - Surgem as primeiras idéias sobre a existência do Purgatório, que passam a ser defendidas por um grupo de católicos romanos
516 - Conversão dos borgonheses ao catolicismo romano
519 - Fim do cisma de Acácio
526 - João I, bispo de Roma, morre na prisão
529 - São Bento funda ordem monástica que servirá de modelo
530 - Bonifácio II e Dióscoro disputam o episcopado romano
530 - Dióscoro morre e Bonifácio II excomunga seu adversário mesmo depois de morto
533 - Dionísio determina o ano do nascimento de Jesus Cristo, mas erra os cálculos
553 - II Concílio de Constantinopla
554 - É determinado o dia 25 de dezembro como o nascimento de Cristo
563 - Columba funda o mosteiro na ilha de Iona (Escócia) e vários outros na Irlanda
568 - Leovigildo, rei dos visigodos, persegue os cristãos
589 - Conversão de Ricardo, rei dos visigodos (da Espanha)
592 - Columbano funda mosteiros na França
593 - O dogma do Purgatório é incorporado ao catolicismo romano
596 - Gregório, o Grande, envia o monge beneditino Agostinho à Grã-Bretanha para evangelizar e fundar mosteiros
600 - Começo histórico do papado: Gregório, o Grande torna-se o 1° papa oficialmente aceito
Século VII - Cronologia
627 - Batismo do rei inglês Edwino e de toda a sua corte
635 - Chegada de Aidano à Nortúmbria (Inglaterra) para evangelizar
640 - Sede da Igreja Católica é saqueada por tropas do império
653 - O papa Martinho I é seqüestrado por Constante II, imperador bizantino
655 - O papa Martinho I é morto por Constante II
663 - O Sínodo de Whitby resolve as diferenças entre o monasticismo irlandês e o de Roma
681 - III Concílio de Constantinopla: condena o monotelismo, que dizia que Cristo tinha somente uma vontade, a vontade divina
687 - Catolicismo Romano passa a ter 3 papas simultâneos disputando a supremacia
690 - O inglês Villibrordo anuncia o Evangelho aos frisões
692 - Concílio Ortodoxo de Constantinopla: decretos contra o catolicismo romano
692 - A população romana expulsa tropas bizantinas que desejavam prender o papa Sérgio I
Século VIII - Cronologia
709 - Começa-se a beijar os pés do Papa.
711 - Em batalhas sangrentas, população romana vence exército bizantino e salva papa Constantino I
726 - Leão III, imperador bizantino, lança edito contra adoração de imagens. O papa Gregório III excomunga Leão III
741 - Início dos 11 anos de pontificado da papisa Joana
743 - Bonifácio começa a fundar mosteiros beneditinos na Alemanha
750 - Igreja Católica começa a vender supostos ossos de santos da igreja
752 - Estevão II, substituindo a papisa Joana, tem pontificado por 4 dias, e é substituído por outro papa que também adota o nome de Estevão II
753 - Nascimento do Estado Pontifício
754 - Constantino V, imperador bizantino, proíbe a adoração de imagens de santos
758 - A Igreja Católica oficializa o culto à imagens e relíquias
765 - Constantino V realiza violentas perseguições contra adoradores de imagens
768 - Novamente 3 papas disputam a supremacia na Igreja Católica. O antipapa Constantino II é cegado e cruelmente mutilado
781 - Os cristãos assírios desenvolvem atividade missionária na China
787 - II Concílio de Nicéia: condena a iconoclastia e promulga que toda igreja deve ter alguma "santa relíquia"
794 - Concílio de Frankfurt: culto às imagens de santos é condenado
797 - Irene, imperadora bizantina, restabelece o culto à imagens
800 - Coroação de Carlos Magno, rei dos francos, pelo papa Leão III
Século IX - Cronologia
804 - Através das armas, Carlos Magno converte saxões ao catolicismo
816 - Cláudio, bispo de Turim, é considerado o "protestante do Século IX"
819 - Criação da festa de Assunção de Maria
826 - 1ª viagem missionária de Anscário à Escandinávia
835 - Batismo de Pribina, príncipe morávio
843 - O Concílio de Constantinopla pede a aniquilação dos iconoclastas
844 - Dois papas disputam o poder: Sérgio II consegue supremacia sobre o antipapa João
846 - Piratas muçulmanos saqueiam a sede da Igreja Romana
847 - Surgem as falsificações pseudo-isidorianas, documentos falsificados pela Igreja Católica
848 - O teólogo católico alemão Gostestalco começa a ensinar a doutrina da dupla predestinação
850 - Concílio de Paiva: instituição do rosário e coroa da virgem Maria e da transubstanciação da hóstia. Inicia-se o uso da água benta.
855 - Anastácio III e Bento III intitulam-se papas simultaneamente
863 - Conflitos entre católicos romanos e ortodoxos: O papa Nicolau I excomunga Fócio e declara Inácio patriarca dos ortodoxos
865 - Conversão ao cristianismo de Bóris, rei dos búlgaros
867 - Evangelização dos sérvios pelos católicos ortodoxos
870 - O papa Adriano II permite emprego da língua eslava na liturgia búlgara
880 - Início da canonização dos santos
882 - O papa João VIII é envenenado por parentes e morre sob marteladas
896 - O papa Formoso também é morto por envenenamento
896 - O papa Estevão VI desenterra do túmulo o ex-papa Formoso e inicia o julgamento de um papa morto
897 - O papa Estevão VI morre estrangulado na prisão
Século X - Cronologia
903 - Cristóvão mata o papa Leão V e assume papado
904 - O papa Sérgio III obtém ofício papal através de assassinato
927 - O bispo da Bulgária torna-se patriarca ortodoxo
928 - Marozia, amante do papa Sérgio III, mata o papa João X
929 - Marozia mata o papa Leão VI; João XI, filho de Sérgio III e Marozia, assume papado
931 - O papa Estevão VII morre por estrangulamento na prisão
935 - A senadora Marozia e seu filho, o papa João XI, são assassinados
950 - Conversão ao cristianismo de Olga da Rússia
955 - João XII, acusado de assassinato e adultério, tem papado ameaçado e vinga-se sangrentamente dos líderes católicos
960 - Início dos 40 anos de pregação do ermitão Bernhard. Segundo ele, o Apocalipse aconteceria no ano 1000
962 - Oto I é coroado imperador pelo papa João XII
963 - Oto I depõe o papa João XII e o substitui por Leão VIII
964 - Bento V e Leão VIII intitulam-se papa simultaneamente
967 - Batismo do duque polonês Miesco, convertido ao cristianismo
974 - O papa Bento VI morre estrangulado pelo seu sucessor, Bonifácio VII
974 - Bonifácio VII e Bento VII intitulam-se papa simultaneamente
984 - O papa João XIV é preso e morto por seu rival Bonifácio VII
984 - O papa Bonifácio VII amplia corrupção em Roma
985 - O papa Bonifácio VII é deposto e assassinado
985-96 - O papa João XV doa propriedades católicas à parentes
989 - Batismo de Vladimir, príncipe de Kiev, convertido ao cristianismo
997 - Novamente dois papas simultâneos disputam o poder: Gregório V e João XVI
998 - Estabelecimento do Dia de Finados
998 - Criação da Quaresma
999 - O papa Gregório V morre de malária aos 27 anos de idade
999 - No fim do milênio, católicos esperam o "fim dos tempos" que não aconteceu
1000 - Conversão dos dinamarqueses ao cristianismo
1000 - Uso da água benta é criado na Igreja Católica
Século XI - Cronologia
1003 - O papa Silvestre II, conhecido como "O Mago", morre por envenenamento
1012 - Benedito VIII compra ofício papal
1012 - Grupo de católicos elege Gregório VI como antipapa de Benedito VIII
1023 - I Concílio de Latrão
1024 - O papa João XIX compra ofício papal
1033 - Benedito IX compra ofício papal e torna-se papa aos 12 anos
1039 - II Concílio de Latrão
1045 - Três papas simultâneos disputam a supremacia no catolicismo. Gregório VI vence disputa comprando ofício papal
1054 - Grande Cisma entre as Igrejas ortodoxa e romana: Humberto excomunga Miguel Cerulário, patriarca ortodoxo de Constantinopla
1056 - As igrejas Católica Romana e grega Ortodoxa dividem-se por causa dos eus trinitarismos diferentes, autoridade papal, leis de batismo e a veneração da imagem de santos mortos e imagens. É importante ressaltar que as diferenças de idioma entre o grego e o latim bem como, a diferença trinitariana entre o leste e o oeste trouxeram a divisão na oficial. Já em 500 d.C., porém a ruptura oficial só aconteceu em 1056 d.C.
1057 - O papado rompe com o Império
1058 - O papa Estevão IX escreve obra contra a venda de cargos eclesiásticos
1059 - Nicolau II depõe Bento X e assume papado
1059 - Cardeais passam a eleger o papa
1061 - Início do período de 11 anos onde o catolicismo tem 2 papas: Alexandre II e Honório II
1074 - Concílio de Roma
1074 - Igreja Católica proíbe o casamento dos sacerdotes
1075 - Os sacerdotes casados devem divorciar-se
1075 - Proibição da investidura leiga: sacerdotes só serão indicados pelo poder religioso
1075 - O papa Gregório VII declara que o Pontífice Máximo da Igreja Romana está acima de toda autoridade terrena
1076 - Henrique IV da Alemanha envia carta à Roma destituindo o papa Gregório VII
1077 - Henrique IV (rei dos alemães) humilha-se em Canossa diante do papa Gregório VII
1078 - Henrique IV passa a apoiar o antipapa Clemente III contra Gregório VII, Vítor III, Urbano II e Pascoal II
1080 - Início de um período de 22 anos onde a Igreja Católica terá 2 papas simultâneos
1080 - O papa Gregório VII excomunga Henrique IV do catolicismo
1084 - Saque da Igreja de Roma por Roberto Guiscardo
1095 - Concílio de Clermont: Igreja Católica cria as Indulgências (venda da salvação) e as cruzadas
1096 - A Cruzada dos Pobres
1099 - A Primeira Cruzada: tomada de Jerusalém pelos cruzados
1100 - Introduz-se na Igreja Católica o pagamento de missas e o culto aos anjos
Século XII - Cronologia
1102 - O papa Pascoal II prende seu rival, o papa Teodorico
1105 - Silvestre IV passa a ser antipapa de Pascoal II
1115 - A confissão é transformada em artigo de fé
1118 - Surge oficialmente a Ordem dos Cavaleiros Templários
1118 - O papa Gelásio escapa com vida de atentado
1121 - O papa Calisto II lança na prisão seu rival, Gregório VIII
1125 - Surgem as primeiras idéias da Imaculada Conceição de Maria
1140 - Elaboração de uma legislação contra os heréticos
1147-49 - A Segunda Cruzada: perda de Jerusalém pelos cruzados católicos
1160 - A Igreja Católica estabelece os 7 Sacramentos
1170 - O papa Alexandre III estabelece que somente são válidos testemunhos feitos na presença de um padre
1179 - III Concílio de Latrão: medidas discriminatórias contra os judeus
1186 - A "Santa Inquisição" é estabelecida no Concílio de Verona (26 milhões de judeus e protestantes são mortos nas mãos da Igreja Romana)
1189-92 - A Terceira Cruzada ou Cruzada dos Reis
1190 - A Igreja Católica oficializa definitivamente a venda de Indulgências
1198 - O papa Inocêncio III lidera perseguição contra os albigenses (protestantes) com execuções em massa
1200 - Domingos, chefe da Inquisição, populariza o uso do Rosário
Século XIII - Cronologia
1201-04 - Quarta Cruzada ou Cruzada Veneziana: ataque da Igreja Romana aos católicos ortodoxos
1208 - Início da cruzada contra os albigenses (protestantes)
1209 - Na França, 60 mil albigenses são mortos pelos cruzados católicos
1210 - Surgimento dos franciscanos
1211 - Morte de 100 mil albigenses pelos cruzados católicos
1212 - Início da Cruzada das crianças
1215 - IV Concílio de Latrão: inventada a confissão aos sacerdotes católicos e o dogma da transubstanciação da hóstia
1216 - Surgimento dos dominicanos
1216 - Aprovação da Ordem dos Irmãos Pregadores
1217-21 - Quinta Cruzada: exército católico retoma Jerusalém
1219 - A Igreja da Sérvia torna-se autônoma
1219 - O católico Francisco prega em território muçulmano
1220 - Introduzida na Igreja Católica a adoração à hóstia
1226 - Igreja Católica introduz a elevação da hóstia
1228-29 - Sexta Cruzada: perda da terra santa pelos cruzados
1229 - Concílio de Toulouse: Igreja Católica proíbe aos leigos a leitura da Bíblia e reafirma a Inquisição
1239 - Em Lyon, o papa Gregório IX excomunga Frederico II da Alemanha
1240 - Mongóis destroem sede da Igreja Russa
1245 - I Concílio de Lyon: o papa Inocêncio IV confirma excomunhão do rei alemão Frederico II
1248-50 - A Sétima Cruzada
1250 - A Bíblia passa a ser dividida em Capítulos
1252 - Documento papal de Inocêncio IV autoriza o uso de toda tortura contra os "hereges"
1264 - Criação da festa do Sagrado Coração de Jesus
1270 - A Oitava Cruzada
1274 - II Concílio de Lyon
1275 - A transubstanciação da hóstia é transformada em artigo de fé
1291 - Surge a lenda defendida pela Igreja Católica de que a casa de Maria foi trazida da Palestina para a Itália por anjos
1292 - Celestino V: o 1° papa a renunciar o papado
1294 - O cristianismo na China: bispo de Pequim envia carta à Europa
1296 - Felipe, o belo, da França, entra em conflito com papa Bonifácio VIII
1300 - Durante o Jubileu, Bonifácio VIII vende Indulgências a todos que peregrinassem até Roma
Século XIV - Cronologia
1301-03 - Novo conflito entre Felipe, o belo, e o papa Bonifácio VIII
1302 - O papa Bonifácio VIII inventa que a salvação só é possível através da Igreja Católica Romana
1302 - A Igreja Católica se auto-proclama como a única e verdadeira
1303 - Bonifácio VIII é humilhado e seqüestrado por franceses, morrendo logo depois
1304 - O papa Benedito XI tem uma controversa morte após comer, sem saber, vidro moído misturado com figos
1306 - A Igreja Católica expulsa da França os judeus, porém a sentença é revogada
1307 - Roma deixa de ser a sede da Igreja Católica, que se estabelece em Avignon, na França
1311-12 - Concílio de Vienne: Ordem dos Cavaleiros Templários é extinta
1312 - Ordem dos Cavaleiros Templários é aniquilada pelo rei francês Felipe IV
1347-54 - Os judeus são culpados pela Peste Negra. 350 comunidades judias são destruídas pela Igreja Católica
1330 - Fundação de dioceses católicas na Índia
1355 - Na França, o "Santo Sudário" aparece pela 1ª vez
1377 - Roma volta a ser sede do catolicismo
1378 - O Grande Cisma: Igreja Católica passa a ter 2 papas
1380 - O reformador inglês Wycliff cria o movimento dos lolardos
1382-84 - Wycliff traduz a 1ª Bíblia para o inglês
1382 - Igreja Católica ataca teses de Wycliff
1384 - Após a morte de Wycliff, a Inquisição mata seus discípulos que realizavam cópias da Bíblia para o inglês
1385 - Prisciliano é morto pelos bispos da Inquisição espanhola
1387 - O cristianismo chega à Lituânia. Completa-se a evangelização de toda Europa
1394 - A Igreja Católica consegue expulsar da França os judeus
Século XV - Cronologia
1409 - Concílio de Pisa: Igreja Católica passa a ter 3 papas simultâneos
1414 - No Concílio de Constança, 3 papas trocam acusações entre si. João XXIII é condenado por 54 crimes
1414 - Proibição do vinho ao povo na Eucaristia
1415 - O Concílio de Constança condena Wycliff como herege
1415 - A Inquisição católica mata o padre Jan Huss
1416 - Jerônimo, amigo de Huss, é morto pela Inquisição
1417 - O catolicismo volta a ter um único papa
1428 - Papa Martinho V ordena que os ossos do "herege Wycliff" fossem desenterrados, queimados e as cinzas lançadas no rio Swift
1431 - Joana D'Arc é queimada pela Inquisição Católica
1431 - Concílio de Basiléia
1434 - A rebelião hussita é massacrada pela Igreja Católica
1439 - Os 7 sacramentos e o purgatório tornam-se artigos de fé
1439 - Concílio de Florença: Igreja Católica se aproxima dos gregos
1450 - A 1ª Bíblia é impressa e é conhecida como a "Bíblia de Gutenberg"
* As Cruzadas
Um grande movimento da Idade Média, sob a inspiração e mandado da igreja, foram as Cruzadas, que se iniciaram no fim do século onze.
- A primeira cruzada foi anunciada pelo papa Urbano II, era composta de 275000 dos melhores guerreiros, para combater os Sarracenos que tinham invadido Jerusalém. Após grande batalha Jerusalém foi reconquistada.
- A Segunda Cruzada foi convocada em virtude das invasões dos Sarracenos às províncias adjacentes ao reino de Jerusalém. Sob a influência de Luiz VII da França e Conrado III da Alemanha, um grande exército foi conduzido em socorro dos lugares reconhecido como santos. Enfrentara grandes dificuldades, mas obtiveram vitória.
- A terceira Cruzada foi dirigida por Ricardo I " Coração de Leão", da Inglaterra e outros como; Frederico Barbarroxa, Filipe Augusto. Barbarroxa morrerá afogado e Filipe desentendeu-se com Ricardo I e voltou para França. A coragem de Ricardo I, sozinho, não foi suficiente para conduzir seu exército para Jerusalém. Contudo fez um acordo para que os cristãos tivessem direito a visitar o santo sepulcro.
- A Quarta Cruzada foi um completo fracasso, porque causou grande prejuízo a igreja cristã. Os cruzados, se afastaram do propósito de conquistar a Terra Santa e fizeram guerra a Constantinopla, conquistaram-na e saquearam-na. Constantinopla ficou, posteriomente, a mercê dos inimigos.
- Na Quinta Cruzada, Frederico II, conduziu um exército até a Palestina e conseguiu um tratado no qual as cidades de Jerusalém, Haifa, Belém e Nazaré, eram cedidas aos cristãos. Porém 16 anos depois a cidade de Jerusalém foi tomada pelos maometanos.
- A Sexta Cruzada foi empreendida por Luiz. Invadiu a Palestina através do Egito, mas não obteve êxito, foi derrotado pelos maometanos e libertado por uma grande soma .
- A sétima Cruzada teve também a direção de São Luiz juntamente com Eduardo I. A rota escolhida foi novamente a África, porém Luiz morreu e Eduardo I voltou para ocupar o trono na Inglaterra e a cruzada teve um fracasso total. Esta foi considerada a última Cruzada, porém houve outras de menor vulto.

* O Desenvolvimento da vida Monástica
Este movimento desenvolveu-se grandemente na Idade Média entre homens e mulheres, com resultados bons e maus. Com o crescimento dessas comunidades, tornava-se necessária alguma forma de organização, de modo que nesse período surgiram quatro grandes ordens.
A Ordem dos Beneditinos Fundada por Bento , em Monte Cassino. Essa ordem tornou-se a maior de todas as ordens monásticas da Europa. Suas regras exigiam obediência ao superior do mosteiro, a renúncia a todos os bens materiais, e bem assim a castidade pessoal.
Cortava bosques, secava e saneava pântanos, lavrava os campos e ensinava ao povo muitos ofícios úteis.
A Ordem dos Cistercienses Surgiram , com objetivo de fortalecer a disciplina dos Beneditinos, que se relaxava. Seu nome deve-se a cidade francesa de Citeaux, fundada por São roberto. Deu ênfase às arte, arquitetura e especialmente à literatura, copiando e escrevendo livros.
A Ordem dos Franciscanos fundada por Francisco de Assis. Tornou-se a mais numerosa de todas as ordens. Por causa da cor que usavam, tornaram-se conhecido como os "frades cinzentos".
A Ordem dos Dominicanos Ordem esponhola fundada por São Domingos. Os Dominicanos e os Franciscanos diferenciavam-se das outras ordens, pois eram pregadores, iam por toda parte a fortalecer a fé dos crentes.
No início, cada ordem monástica era um benefício para a sociedade. Vamos ver alguns bons resultados.
1. Os mosteiros davam hospedagem aos viajantes, aos enfermos e aos pobres. Serviam de abrigo e proteção aos indefesos, principalmente às mulheres e crianças.
2. Guardavam em suas bibliotecas muitas obras antigas da literatura clássica e cristã. Sem as obras escritas nos mosteiros, a Idade média teria passado em branco.
3. Os monges serviram como missionários na expansão do evangelho, até mesmo entre os bárbaros.
Apesar dos bons resultados que emanaram do sistema monástico, também houve péssimos resultados.
1. O monacato apresentava o celibato como a vida mais elevada, o que é inatural e contrário às Escrituras.
2. Impôs a adoção da vida monástica a milhares de pessoas das classes nobres da época.
3. Os lares e as famílias foram, assim, constituídos não pelos melhores, mas pelos de ideais inferiores, já que os melhores, não participavam da família, nem da vida social, nem da vida cívica nacional.
4. O crescimento da riqueza dos mosteiros levou a indisciplina, ao luxo, à ociosidade e até a imoralidade.
No início do século dezesseis, os mosteiros estavam tão desmoralizados no conceito do povo, que foram suprimidos, e os que neles habitavam foram obrigados a trabalhar para se manterem.
* Início da Reforma Religiosa
Cinco grandes movimentos de reformas surgiram na igreja; contudo, o mundo não estava preparado para recebê-los, de modo que foram reprimidos com sangrentas perseguições.
Os Albigenses "Puritanos" surgiram em 1170 no sul da França. Eles rejeitavam a autoridade da tradição, distribuíam o Novo Testamento e opunham-se às doutrinas romanas do purgatório, à adoração de imagens e às pretensões sacerdotais. O papa Inocêncio III, promoveu uma grande perseguição contra eles, e a seita foi dissolvida com o assassinato de quase toda a população da região.
Os Valdenses Apareceram ao mesmo tempo, em 1170, com Pedro Valdo, que lia, explicava e distribuía as Escrituras, as quais contrariavam os costumes e as doutrinas dos católicos romanos. Foram cruelmente perseguidos e expulsos da França; apesar das perseguições, eles permaneceram firmes, e atualmente constituem uma parte do pequeno grupo de protestante na Itália.
João Wyclif Nascido em 1324, Recusava-se a reconhecer a autoridade do papa e opunha-se a ela. Era contra a doutrina da transubstanciação, considerando o pão e o vinho meros símbolos. Traduziu o Novo testamento para o Inglês e seus seguidores foram exterminados por Henrique V.
João Huss Nascido em 1369 foi um dos leitores de Wyclif, pregou as mesmas doutrinas, e especialmente proclamou a necessidade de se libertarem da autoridade papal. Foi excomungado pelo papa, e então retirou para algum esconderijo desconhecido. Ao fim de dois ano voltou a convite da igreja para participar de um concílio católico-romana de Constança, sob a proteção de um salvo-conduto. Entretanto, o acordo foi violado sob o pretexto de que "Não se deve ser fiel a hereges". Assim João Huss foi condenado e queimado.
Jerônimo Savonarola Nascido em 1452 foi monge Dominicano, em Florença. A grande catedral enchia-se de multidões ansiosas, não só de ouvi-lo, mas também para obedecer aos seus ensinos. Pregava contra os male sociais, eclesiásticos e político de seu tempo. Foi preso, condenado e enforcado e seu corpo queimado na praça de Florença em 1498.
* A Queda de Constantinopla
A queda de Constantinopla, em 1453, foi assinalada como linha divisória entre os tempos medievais e os tempos modernos. Província após província do grande império foi tomada, até ficar somente a cidade de Constantinopla, que finalmente, em 1453, foi tomada pelos turcos sob as ordens de Maomé II. O templo foi transformado em mesquita. Constantinopla ( Istambul ) tornou-se a capital do Império Turco e assim terminou também o período da Igreja Medieval.

História da Igreja Parte 02.

SEITAS E HERESIAS
Juntamente com o desenvolvimento da doutrina teológica, desenvolviam-se também as seitas, ou como lhes chamavam, as heresias na igreja cristã. Os cristãos não só lutam contra as perseguições , mas contra as heresias e doutrinas corrompidas.
Os Gnósticos Do grego "Gnósis = Sabedoria, Conhecimento" Acreditavam que Deus Supremo é o espírito absoluto e causa de todo bem, enquanto a matéria é completamente má criada por um ser inferior que é Jeová. O propósito é então escapar deste corpo que aprisiona o espírito. Afim de chegar a libertação, é necessário que venha um mensageiro do reino espiritual, o Cristo. Cristo portanto não era matéria, possuía somente a natureza divina.
Os Ebionitas Do hebraico que significa "Pobre" eram judeus-cristãos que insistiam na observância da lei e dos costumes judaicos. Rejeitavam as cartas escritas por Paulo. Eram considerados como apostatas pelo Judeus não convertidos.
Os Maniqueus De origem persa, foram chamados por esse nome, em razão de seu fundador ter o nome de Mani. Acreditavam que o universo compõe-se do reino das trevas e da luz e ambos lutam pelo domínio do homem. Rejeitavam a Jesus, porém criam em um "Cristo celestial".
Marcion, nativo de Porto, foi a Roma perto de 138 e se tornou membro da Igreja de Roma. Não conseguiu levar a igreja a aceitar seu ponto de vista, assim que organizou os seus seguidores numa igreja cismática e expandiu a obra até ter congregações em quase todas as províncias. Embora talvez não seja correto chamar Marcion de gnóstico, ele compartilhou vários de seus pontos de vista: judaísmo é mau. Jeová não é o mesmo Deus do NT. Contrastou, segundo ele, a imoralidade e crueldade do AT., com a espiritualidade, misericórdia, bondade e alta moral do NT.
Embora conceba o nascimento, vida e morte de Jesus como apenas aparente, Marcion insiste na obra redentora de Cristo como necessária para a salvação dos homens. O marcionismo achou fácil aceitação na Mesopotâmia e na Pérsia e sobreviveu lá durante alguns séculos.

Montanismo:É uma reação às inovações que foram introduzidas nas igrejas pelo gnosticismo e paganismo em geral às custas da fé e da moral. Foi organizado na Frígia entre 135 e 160 por Montano com Priscila e Maximinia (profetizas do movimento) em resposta a uma iluminação do Paracletos, para proclamar o estabelecimento do reino de Cristo e pregar contra o mundanismo das igrejas. Algumas das doutrinas desenvolvidas ( e pelas quais foram rejeitados) tornaram-se ensino básico da Igreja católica 2 séculos depois: exaltação da castidade e viuvez; divisão dos pecados em mortal e venial, exaltação do martírio.
Tornou-se o precursor do cristianisno ascético. Suas doutrinas em geral eram as mesmas do cristianismo católico. Reivindicaram ter recebido revelações divinas enquanto em estado de êxtase. O espírito lhes dava a interpretação ascética de certas passagens bíblicas. O montanismo é uma explosão de profetismo, dando importância especial a visões e revelações. Tem caráter essencialmente escatológico. Para eles o período do Parácletos (Espírito Santo) se iniciou com Montano. A nova Jerusalém será inaugurada para o reino de 1.000 anos. Assim que é necessário viver em continência e prepara-se para tanto. Nenhum dos que escreveram contra o montanismo vê neles uma heresia. Ao contrário vê nele "tendências arcaicas".
Novacionismo: Foi o montanismo reaparecendo numa outra época, sem as reivindicações proféticas que desapareceram. Novaciano foi condenado em 251 por um concílio romano que reunia 60 bispos. Após a perseguição de Décio, quando muitos negaram a fé, Novaciano liderou os que queriam muito rigor para os que cairam. Este movimento cismático encontrou muita recepção na África e na Ásia Menor, onde absorveu o que restou dos montanistas. Sua doutrina era igual à das igrejas católicas. Foi apenas a questão de disciplina que questionavam: condições para ser membro da igreja e perdão de certos pecados específicos. Enquanto Cipriano admitia a reconciliação dos caídos "após uma penitência severa e prolongada: . Novaciano considerava que "reconciliação alguma lhe pode ser concedida" Para Novaciano a igreja se identificava com um pequeno grupo de espirituais que estava em conflito obrigatório com a cidade terrena. Crendo que as igrejas católicas eram apóstatas, os novacianos rejeitaram as ordenanças delas. A crença na regeneração batismal era quase universal nesta época. Os novacianos deram tanta importância à necessidade do batismo ser ministrado por pessoa devidamente qualificada que rebatizavam os que vieram das igrejas católicas.

Os Donatistas: Como os montanistas e novacionistas, estavam preocupados principalmente com questões de disciplina. O movimento surgiu após a perseguição de Diocleciano e especificamente em relação ao que entregaram as Escrituras as autoridades. Os donatistas insistiram numa disciplina eclesiástica rigorosa e numa membresia pura.

A IGREJA IMPERIAL
DE CONSTANTINO, 313 AD ATÉ À QUEDA DE ROMA EM 476 AD.
No ano 305, quando Diocleciano abdicou o trono imperial, a religião cristã era terminantemente proibida, e aqueles que a professassem eram castigados com torturas e morte. Logo após a abdicação de Diocleciano, quatro aspirantes à coroa estavam em guerra.
Os dois rivais mais poderosos eram Majêncio e Constantino. Constantino afirmou ter visto no céu uma cruz luminosa com os seguintes dizeres: "Por este sinal vencerás". Constantino ordenou que seus soldados empregassem para a batalha o símbolo que se conhece como " Labarum ", e que consistia na superposição de duas letras gregas, X e P.
Em batalha travada sobre a ponte Mílvio, Constantino venceu o exercito de Majêncio e este morreu afogado caindo nas águas do rio. Após este vitoria Constantino fez aliança com Licínio e posteriormente com Maximino os outros dois pretendentes a coroa.
Em 323 AD, Constantino alcançou o posto supremo de Imperador, e o Cristianismo foi então favorecido. Os templos das Igrejas foram restaurados e novamente abertos em toda parte. Em muitos lugares os templos pagãos foram dedicados ao culto cristão. Em todo o império os templos pagãos eram mantidos pelo Estado, mas, com, a conversão de Constantino, passaram a ser concedido às Igrejas e ao clero cristão.
O Domingo foi proclamado como dia de descanso e adoração. Como se vê, do reconhecimento do Cristianismo como religião preferida surgiram alguns bons resultados, tanto para o povo como para a igreja:
- As perseguições acabaram
- A crucificação foi abolida
- Templos restaurados e muitos construídos
- O infanticídio foi reprimido
- As lutas de gladiadores foram proibidas
Apesar de os triunfos do Cristianismo haverem proporcionado boas coisas ao povo, contudo a sua aliança com o Estado, inevitavelmente devia trazer, como de fato trouxe, maus resultados para a igreja.
- As Igrejas eram mantidas pelo Estado,e seus ministros privilegiados não pagavam impostos, e os julgamentos eram especiais.
- Iniciou-se as perseguições aos pagãos, ocorrendo assim muitas conversões falsas.
- Todos queriam ser membros da Igreja e quase todos eram aceitos. Homens mundanos, ambiciosos e sem escrúpulos, todos desejavam postos na Igreja, para, assim obterem influência social e política.
- Os cultos de adoração aumentaram em esplendor, é certo, porém eram menos espirituais e menos sinceros do que no passado.
- Aos poucos as festas pagãs tiveram seus lugares na Igreja, porém com outros nomes. A adoração a Vênus e Diana foi substituída pela adoração a virgem Maria. As imagens dos mártires começaram a aparecer nos templos, como objeto de reverência.
No ano 363 AD todos os governadores professaram o Cristianismo e antes de findar o quarto século o Cristianismo, foi virtualmente estabelecido como religião do Império.
A Fundação de Constantinopla
O Imperador Constantino compreendeu que a cidade de Roma estava intimamente ligada à adoração pagã, cheia de templos e estátuas pagãs. Ele desejava uma capital sob os auspícios da nova religião. Na nova capital, a igreja era honrada e considerada, não havia templos pagãos.
Logo depois da fundação da nova capital, deu-se a divisão do império. As fronteiras eram tão grande que um imperador sozinho não podia defender seu vastíssimo território.
A partir deste século( IV ), a Doutrina ensinada pelo maior de todos os enviados já não se encontra no estado puro em que foi ensinado, porque, atendendo a critérios de homens, de espíritos de homens e do mundo, e associado ao processo de institucionalização da Igreja Católica (dita Universal), a essência foi completamente ALTERADA.
.
Século IV e V - Cronologia
301 - O cristianismo torna-se a religião oficial da Armênia
303-04 - Éditos de perseguição aos cristãos
312 - Início do cisma donatista
312 - A falsa conversão de Constantino
312 - Início do costume de adorar os santos
313 - Paz Geral da Igreja
313 - Eusébio consegue do imperador Constantino a permissão para confeccionar 50 bíblias
314 - Concílio de Arles
320 - A heresia Ariana é desenvolvida no oeste do Império Romano. No ensino de Ários a divindade de Jesus Cristo é negada e Deus manifesta na carne e sangue de Jesus Cristo é tido como nada mais que o filho de Deus adotado. Se não fosse pela intervenção de Constantino em 325 d.C., essa heresia teria dominado completamente o mundo da igreja do Oeste que mais tarde se tornou o mundo da Igreja Ortodoxa Grega.
321 - Constantino promulga uma lei ordenando que todos descansem no dia do sol (domingo)
325 - I Concílio de Nicéia. Sob o governo do imperador Constantino no Conselho de Nicéia, a trindade Tertuliana juntamente com a nova lei do batismo, tornam-se doutrinas oficiais nas igrejas do Império Romano, através do decreto imperial. Todos os sistemas religiosos fora do trinitarismo foram considerados heréticos, incluindo, os ensinamentos dos apóstolos e os de Arias, juntamente com outros grupos religiosos. Sob o governo de Constantino, os assim chamados grupos trinitatianos tornaram-se a religião oficial do império. Nessa época, a profecia do Apóstolo Pedro em 2º Epístola de Pedro 2:1-2 se cumpre. Devido ao concílio de Nicéia, o mundo da igreja apostólica dentro do território romano foi levada a se esconder, ou se espalhar, devido a perseguição pelo próprio governo e a Igreja Católica Romana e os crentes trinitários.
330 - Na fundação de Constantinopla, Constantino mistura o cristianismo com religiões pagãs .
339 - Perseguição aos cristãos no Império Sassânida
340 - Anastácio de Alexandria visita Roma com 2 monges do Egito
342-43 - Sínodo de Sárdica: conflitos entre católicos romanos e ortodoxos
347 - Perseguição dos donatistas por Constante
354 - O Natal, festa de origem pagã, é instituído pelo bispo romano Libério
355 - Constantino II exila Libério, bispo de Roma, e põe em seu lugar Félix II
357 - Anastácio de Alexandria escreve a "Vida de Santo Antônio"
358 - Após a deposição de Félix II, Libério volta e é aceito pelos cristãos de Roma
360 - Martim de Tours funda um mosteiro perto de Poitiers (França)
361 - Anistia Geral aos cristãos
363-65 - Reavivamento pagão no governo de Juliano
366 - Os arianos empossam Ursino em oposição à Dâmaso, legal bispo de Roma. Todavia, a oposição só dura um ano
367 - Concílio de Hipo: confirmação dos 66 livros da Bíblia Sagrada
370 - Culto aos santos, por Basílio de Cesaréia e Gregório de Nazianzo
372 - Gregório de Nazianzo, defensor da adoração às imagens, assume episcopado
376 - O imperador Graciano rejeita título de Pontífice Máximo da Igreja
376 - O imperador Graciano reprime os donatistas
377 - Sínodo de Roma: condenação de Apolinário
378 - Dâmaso, bispo de Roma, recebe o título pagão de Pontífice Máximo da Igreja
380 - Édito de Tessalônica: Teodósio torna o cristianismo religião oficial
381 - Concílios de Constantinopla e Aquiléia: condenado o apolinarismo
384 - Em Roma, Jerônimo inicia a tradução da Bíblia para o latim vulgar
385 - Prisciliano é executado como herético
386 - Jerônimo continua a tradução da Bíblia na Palestina
387 - Conversão de Agostinho ao Cristianismo em Milão (Itália)
389-91 - Teófilo, patriarca de Alexandria, inicia violenta campanha de destruição de templos pagãos
392 - O imperador Teodósio proíbe a liberdade religiosa aos pagãos
400 - As Confissões de Santo Agostinho
400 - Horonato funda o mosteiro de Lérins (França)
400 - Maria passa a ser considerada "Mãe de Deus"
400 - Invenção da oração aos mortos e do Sinal da Cruz
402 - Inocêncio I, filho do antigo bispo de Roma Anastácio I, assume o episcopado romano
403 - Epifânio combate adoração a Maria
404 - Jerônimo termina a tradução da Vulgata
408 - Revoltas populares pedem a liberdade de culto para os não-cristãos no Império Romano
415 - João Cassiano funda 2 mosteiros em Marselha (França); através de Conferências introduz as regras monásticas no catolicismo
416 - O batismo infantil e por aspersão torna-se compulsório na igreja Ocidental.
418 - Divergências na igreja primitiva: Bonifácio I e Eulálio são eleitos bispos de Roma
419 - Eulálio é expulso de Roma pelo imperador e por partidários de Bonifácio I
420 - Cristãos são perseguidos na Pérsia
424 - A Igreja Assíria (Nestoriana) proclama autonomia
431 - I Concílio de Éfeso: adoração a Maria é oficializada
432 - Patrício começa a fundar mosteiros na Irlanda
440 - Leão Magno, bispo de Roma, declara que o episcopado romano é a autoridade suprema da Igreja no mundo
440 - Surge a lenda de que Helena encontrou a Cruz de Cristo
448 - Católicos Ortodoxos condenam teoria monofisista de Êutiques
449 - II Concílio de Éfeso: Diáscoro, patriarca de Alexandria, absolve Êutiques e confirma que suas teorias monofisistas são válidas
451 - Concílio de Calcedônia: nova condenação de Êutiques e invenção da doutrina da virgindade perpétua de Maria. Institui-se a adoração à Maria como mãe de Deus.
455 - Leão Magno, bispo de Roma, defende a cidade do ataque dos hunos e salva população romana

História da Igreja Parte 01.

Amados irmãos, como estarei postando em breve alguns assuntos relacionados a diversas religiões, nada mais justo do que postar primeiramente alguns estudos relacionados a história da Igreja. Viajem no tempo, e façam uma reflexão de como começou a Igreja, como ela se desvirtuou dos ensinos de Jesus, e como ela retomou o rumo, através do "Protestantismo".


A ORIGEM DA IGREJA

A igreja de Cristo sempre existiu na mente e coração do Pai, desde antes da fundação do universo.

Efésios 1 : 4 Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

I Pedro 1 : 20 O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós;

O Novo Povo de Deus:

Surgiu dentro do antigo povo e como cumprimento das profecias do Antigo Testamento.



No princípio a igreja é considerada como uma seita do judaísmo. At:24:5; 28:22. Há um sobrepor dum sobre o outro. A igreja é formada dentro do ventre de Israel. Embora nasce a Igreja em At:2, ela já está em formação desde o nascimento de Jesus 33 anos antes. Assim os dois tem vida própria e cedo distinguem-se um do outro, embora ambos são chamados "o povo de Deus".

A igreja distingue-se de Israel de várias maneiras, sendo que estas características estão prefiguradas no Antigo Testamento: Ela é o corpo de Jesus Cristo neste Mundo. Seus símbolos (batismo e ceia) são baseados no evento realizado uma vez para sempre na morte de Jesus. Ela é universal, sem nenhuma base em raça ou cultura.

Em uma ordem lógica, podemos admitir que : Deus fundou a Igreja, Jesus Cristo formou a Igreja e o Espírito Santo confirmou a Igreja. Assim, o projeto no coração de Deus, a formação pelo ministério de Cristo e a confirmação, no dia de Pentecostes, pelo poderoso derramamento do Espírito Santo.

A FUNDAÇÃO DA IGREJA

Efésios 3 : 9 E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;

A Igreja que antes era um mistério " oculto em Deus " fora revelada em Cristo, tornando-se o " segredo de Deus " conhecido aos homens. A expressão " oculto em Deus " indica que a igreja esteve sempre na mente de Deus, e vindo a ser conhecida pelo ministério terreno de Jesus Cristo e o Espírito Santo.

A Igreja de Deus, começou a formar e revelar-se no tempo, quando João Batista disse; Eis o Cordeiro de Deus. João 1:36.

O NASCIMENTO DA IGREJA

A Igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de âmbito mundial, no dia de Pentecostes, cinqüenta dias após a ressurreição, e dez dias depois da ascensão do Senhor Jesus Cristo.

Na manhã do dia de Pentecostes.

- 120 seguidores de Jesus oravam reunidos

- Línguas de fogo desceram sobre eles

- Falaram em outras línguas

O tríplice efeito do Pentecostes

- Iluminou a mente dos discípulos

- Compreenderam que o Reino não era político

- Deveriam estar totalmente na dependência do espírito Santo

A PLENITUDE DO TEMPO

Gálatas 4 : 4 Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

A Palestina onde o cristianismo deu seus primeiros passos ocupava uma posição geográfica privilegiada pois ocupava uma área onde era a encruzilhada das grandes rotas comerciais que uniam o Egito à Mesopotâmia, e a Arábia com a Ásia Menor. Por isso vemos na história descrita no Velho Testamento, esta área tão cobiçada sendo invadida por vários impérios.

A língua predominante na época era o grego. Uma língua universal, apesar do império dominante ser o império Romano, que unia em um só governo boa parte do mundo conhecido. Era um governo pacífico e próspero e suas cidades estavam em progresso e viajar não era mais difícil pois muitas estradas foram construídas.

Apesar de haver muitas religiões e filosofias ( A política dos romanos era, em geral, tolerante em relação a religião e aos costumes dos povos conquistados. ) o mundo estava vazio espiritualmente, Assim o mundo estava pronto para a recepção de uma nova religião.

Jesus nasceu dentro deste contexto e que biblicamente se conhece como "plenitude dos tempos" Gl:4:4-5. A igreja, respondendo às ansiedades da época com a revelação de Deus em Jesus, conseguiu rapidamente conquistar o Império.

A "plenitude do tempo" não quer dizer que o mundo estivesse pronto a se tornar cristão, mas quer dizer que, nos desígnios de Deus, havia chegado o momento de enviar o seu filho ao mundo.

A IGREJA APOSTÓLICA



O CRESCIMENTO DA IGREJA

Atos 5 : 14 E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais.

Atos 6 : 7 E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.

A arma usada pela igreja, através da qual a igreja crescia demasiadamente, era o testemunho de seus membros. Enquanto aumentava o número de membros aumenta o número de testemunhas, pois cada membro era um mensageiro de Cristo.

Os motivos desse crescimento foram :

- Perseveravam na doutrina dos apóstolos

- Perseveravam na comunhão e partir do pão

- Perseveravam na oração

- Possuíam temor

- Muitos sinais e maravilhas se faziam

- Muita alegria e sinceridade

Atos 2 : 41 - 47

A Igreja Pentecostal era uma igreja poderosa na fé e no testemunho, pura em seu caráter, e abundante no amor. Entretanto, o seu defeito era a falta de zelo missionário. Foi necessário o surgimento de severa perseguição, para que se decidisse a ir a outras regiões.

A EXPANSÃO DA IGREJA

Atos 8 : 4 Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra.

Na perseguição iniciada com a morte de Estevão, a igreja em Jerusalém dispersou-se por toda a terra. Alguns chegaram até Damasco e outros até a Antioquia. Por qual motivo sobreveio então as perseguições ?

Marcos 16 : 15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

A partir desta perseguição, os cristãos fugiam, porém pregavam o evangelho e testemunhavam das maravilhas que Jesus operava.

Os primeiros agentes da expansão missionária provavelmente foram os convertidos do dia de Pentecostes (At:2:9-11) que levaram o evangelho consigo quando voltaram para casa. As regiões alistadas no texto já indicam a larga gama de países do mundo de então.



Uma segunda leva de "missionários" foram aqueles que foram espalhados por toda parte na perseguição que seguiu o martírio de Estevão At:8:4. Estes foram pregando na Fenícia, no Chipre e na Antioquia, mas sempre aos helenistas. Um dos convertidos de Chipre e de Cirene (Líbia) pregaram aos helenos (gregos) em Antioquia. Como resultado da evangelização do eunuco por Filipe surgiu a Igreja na Etiópia: At:8:26-39.



No período apostólico de expansão do evangelho, o NT relata a presença de crentes nos seguintes lugares sem nos indicar quem o levou ou como ouviram: Roma, Bitínia, Mísia, Pontus, Capadócia (1aPe1:1), Tiro, Sidom, Puteoli (perto de Nápoles). Tudo isso parte da obra missionária paulina.



Expansão no Império Romano Leste



Nos dados fragmentários que temos podem ser observado algumas regiões. Na Fenícia a fé cedo parece ter sido mais forte do que na própria Palestina. Entretanto é provável que aqui, como em quase todo o império, o cristianismo era um fenômeno urbano, desenvolvendo-se especialmente nas cidades costeiras. Tiro possuía uma igreja muito forte.



Na Síria se desenvolveu duas comunidades cristãs: a de fala grega que teve seu início em Antioquia e que se expandiu nas comerciais às cidades de fala grega na Síria. Embora a igreja de Antioquia possa ter sido bilíngüe desde cedo, a comunidade de fala siríaca teve seu núcleo principal ao leste na cidade de Edessa. Foi daqui que expandiu o cristianismo siríaco. A força da igreja na Síria pode ser constatada pela presença de 20 bispos seus no Concílio de Nicéia em 325.



Na Ásia Menor, foi área de trabalho de pelo menos dois apóstolos, Paulo e João, o cristianismo tinha sido adotado mais largamente do que qualquer outra região grande do Império até o fim do III século. Seu crescimento maior parece ter sido nas cidades onde a cultura local estava desintegrando-se diante do impacto da cultura que chegava, a cultura greco-romana. Nas cidades helênicas era menor e nas cidades onde a educação helenista era desconhecida era quase inexistente.. A carta de Plínio ao imperador Trajano na segunda década do II século atesta a larga expansão do cristianismo nas cidades e até no quadro rural de Bitinia.



Expansão no Império Romano Africano



Quanto ao Egito a tradição faz de Marcos o missionário que lá plantou o evangelho.

Sabemos que Apolo era de Alexandria, mas não sabemos se converteu-se lá ou se voltou para lá após sua conversão. Até o fim do segundo século a igreja já estava forte. Já incluía várias linhas teológicas, das quais uma das mais fortes foi o gnosticismo. Já neste período traduções de porções das Escrituras foram feitas em línguas indígenas dando condições para o desenvolvimento da Igreja Copta.

Na costa do norte da África o cristianismo se alastrou cedo especialmente nas regiões da Líbia, Tunísia, e Algeria. O progresso do cristianismo nesta região parece ter sido muito rápido, especialmente no III século. É de aqui que surgiu Tertuliano, Cipriano e, mais tarde, Agostinho. A igreja parece ter sido mais forte nas cidades e entre a população que falava latim.



Expansão no Império Romano Europeu.



Na Itália, o evangelho chegou a Roma antes de Paulo, mas talvez não muito antes da agitação que resultou na expulsão dos judeus sob Cláudio (41-54) por causa dum certo "Chrestus. Cf. At:18:1-3. Até 250 a igreja em Roma cresceu sobremaneira. Uns calculam 30.000 membros; outros acham que foram muito mais. Até meados do III século na Itália havia cerca de 100 bispos. Com a expansão rápida do cristianismo que ocorreu nas últimas décadas daquele século, calcula-se que quase toda a cidade no centro-sul e na Sicília tinham um núcleo de cristãos. A penetração do norte da Itália foi bem mais lenta e veio da Dalmacia e regiões ao leste.

A Espanha, embora romanizada antes da África, foi muito mais lenta em receber o Evangelho. No III século o cristianismo parece firmemente estabelecido no sul, nas cidades costeiras.



Avanço do Cristianismo ao Leste Além dos Limites do Império Romano.



A tradição indica que Tomé foi aos Partos e a Índia; Mateus a Etiópia; Bartolomeu a Índia e André aos citos.



Edessa estava localizada nas grandes rotas comerciais que corriam entre as montanhas da Armênia ao norte e os desertos da Síria ao sul. Até o fim do II século estava fora do império romano e dentro da esfera da influência dos Partos. A sucessão de bispos remonta a fins do II século. Embora centro de cultura grega, o cristianismo de Edessa era siríaco. No início do III século poucas cidades continham mais crentes que Edessa. Até o fim do século parece que ela estava predominantemente cristã. Edessa parece ter sido o ponto donde o evangelho penetrou mais na Mesopotâmia e até os limites da Pérsia.



As antigas religiões da Babilônia e da Assíria estavam em desintegração e não ofereceram muita oposição ao cristianismo. A oposição surgiu principalmente do zoroastrismo que mais tarde se tornou a religião do Estado persa (meados do III século).

Os primeiros convertidos aparecem cerca de 100 a.D. Até o fim do primeiro quartel do III século havia mais de 20 dioceses na Mesopotâmia.



No leste o cristianismo não só não teve os mesmos êxitos que conseguiu no império, como também eventualmente quase desapareceu. Isto possivelmente se deva a três razões: A política religiosa dos Sassanidas (dinastia persa) que favoreceu o zoroastrismo.

A forte hierarquia deste com o apoio da monarquia levantou uma forte resistência ao cristianismo. Também o próprio êxito do cristianismo no império, após sua adoção por Constantino, o tornou a religião do inimigo principal dos persas. E por último, a forma herética em que o cristianismo foi pregado.



Século I - Cronologia

6 ou 4 a.C. - Nascimento de Jesus Cristo
2 a.C. - Nascimento de Paulo, conhecido como o Apóstolo dos Gentios
26 - Início do Ministério de João Batista (primo de Jesus)
26 a 30 - Ministério de Jesus Cristo
30 - Herodes Antipas manda decapitar João Batista
30 - Morte e Ressurreição de Jesus Cristo
30 - Dia de Pentecostes
36 - Martírio de Estevão
37 - Conversão de Paulo
41 - Em Antioquia pela 1ª vez utiliza-se o termo "cristãos"
44 - Martírio em Jerusalém do apóstolo Tiago, o maior
45 a 48 - 1ª Viagem Missionária de Paulo
45 a 50 - Tiago, irmão de Jesus, escreve a Epístola de Tiago
49 - Concílio de Jerusalém: a salvação é pela fé e não pela Lei
49 a 52 - 2ª Viagem Missionária de Paulo
49 ou 52 - Paulo escreve a Epístola aos Gálatas
50 - Mateus escreve o primeiro dos 4 Evangelhos ( Evangelho de Mateus)
51 - Paulo escreve a Epístola aos Tessaloniscences
51 - Paulo escreve a 2ª Epístola aos Tessaloniscences
53 a 58 - 3ª Viagem Missionária de Paulo
56 - Paulo escreve a Epístola aos Romanos
56 - Paulo escreve a Epístola aos Coríntios
57 - Paulo escreve a 2ª Epístola aos Coríntios
58 - Prisão de Paulo: de Jerusalém é transferido para Roma
60 - Lucas escreve o Evangelho de Lucas
60 - Lucas escreve o livro Atos dos Apóstolos
60 - Na prisão, Paulo escreve:Epístola aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses e Filemon
63 - Tiago, irmão de Jesus, morre apedrejado em Jerusalém
64 - Paulo escreve a 1ª Epístola a Timóteo
64 - 1ª perseguição geral aos cristãos: Nero ateia fogo em Roma e culpa cristãos
65 - Pedro escreve a 1ª Epístola de Pedro
65 - Paulo escreve a Epístola a Tito
66 - Pedro escreve a 2ª Epístola de Pedro
67 - Paulo escreve a 2ª Epístola a Timóteo
68 - João Marcos escreve o Evangelho de Marcos
68 - Judas, irmão de Jesus, escreve a Epístola de Judas
68- É escrito a Epístola aos Hebreus
85 a 90 - O Apóstolo João escreve a 1ª Epístola de João
85 a 90 - O Apóstolo João escreve a 2ª Epístola de João
85 a 90 - O Apóstolo João escreve a 3ª Epístola de João
85 a 90 - O Apóstolo João escreve o Evangelho de João
95 - Em Patmos João tem uma visão e escreve o Livro do Apocalipse (ou o Livro da Revelação)



Século I - Adendos Importantes
1ª Viagem Missionária de Paulo
2ª Viagem Missionária de Paulo
3ª Viagem Missionária de Paulo


A ERA SOMBRIA

A última geração do primeiro século, a que vai do ano 60 ao 100 AD, chamamos de "Era Sombria", em razão de as trevas da perseguição estarem sobre a igreja, e a falha de muitas informações sobre este período.

Razões das Perseguições da Igreja



Ao longo dos primeiros três séculos do cristianismo havia tanto competição entre as religiões como o espírito de tolerância. Embora nunca tomaram recursos de armas para se defenderem, os cristãos foram o único elemento social perseguido por período prolongado



A falta de participação em festas e ritos idolatras dos templos bem como sua hostilidade a outras religiões levou o mundo da época a considerar os cristãos ateus e inimigos dos deuses. Também os cristãos passaram a se reunir de noite e em segredo e começaram a mostrar afeição uns pelos outros. Ao mesmo tempo celebravam a ceia do Senhor (comer o sangue e o corpo de Jesus) , o que deu margem às acusações de antropofagia ou canibalismo.



Assim durante década foi lhes atribuído as seguintes acusações: ateísmo, licenciosidade e canibalismo.



O cristianismo chocou as sensibilidades dos filósofos e mais educados justamente pelo entusiasmo de seus adeptos. Pior, entraram em conflito com os vendedores de ídolos e os comerciantes da idolatria. Trouxe assim contra eles a má vontade duma classe poderosa.

O Paganismo em suas práticas aceitava as novas formas e objetos de adoração que iam surgindo, enquanto o Cristianismo rejeitava qualquer forma ou objeto de adoração.

A adoração aos ídolos estava entrelaçada com todos os aspectos da vida. As imagens eram encontradas em todos os lares, e até em cerimônias cívicas, para serem adoradas. Os cristãos, é claro, não participavam dessas formas de adoração. Por essa razão o povo considera os cristãos como " Anti-social e ateus que não tinham deuses.

A adoração ao Imperador era considerada como prova de lealdade. Havia estátuas dos imperadores reinantes nos lugares mais visíveis para o povo adorar. Os cristãos recusavam-se a prestar tal adoração.

As reuniões secretas dos cristãos despertaram suspeitas de praticarem atos imorais e criminosos durante a celebração da Santa Ceia, pois eram vetada a entrada dos estranhos.

O Cristianismo considerava todos os homens iguais. Não havia distinção entre seus membros, nem em suas reuniões, por isso foram considerados como " niveladores da sociedade ", portanto anarquistas, perturbadores da ordem social.



Perseguição sob Nero

Nero chegou ao poder em 54.Todos os que se opunham à sua vontade, ou morriam ou recebiam ordens de se suicidar.

Assim estavam as coisas quando em 64 AD aconteceu o incêndio em Roma. Diz-se que foi Nero quem ateou fogo à cidade, Contudo essa acusação ainda é discutível. Entretanto a opinião pública responsabilizou Nero por esse crime. Afim de escapar dessa responsabilidade, Nero apontou os cristãos como culpados do incêndio de Roma, e moveu contra eles tremenda perseguição. O fogo durou seis dias e sete noites e depois voltou a se acender em diversos lugares por mais três dias.

- Milhares de cristãos foram torturados e mortos.

- Muitos serviram de iluminação para a cidade, amarrados em postes e ateado fogo.

- Muito foram vestidos com peles de animais e jogados para os cães.

- Nesta época morreram :

- Pedro - Crucificado em 67

- Paulo - Decapitado em 68

- Tiago - Apedrejado depois de ser jogado do alto do templo

Além de matá-los fê-los servir de diversão para o público.



Durante esses dias milhares de cristãos foram mortos, especialmente em Roma e em toda a Itália.
Nesta época o apóstolo João, que vivia em Éfeso, estava preso e exilado na ilha de Patmos, quando recebeu a revelação do Apocalipse.

AS PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS

Este período vai da morte do Apóstolo João, ano 100 AD até o Edito de Constantino, ano 313 AD.

O fato de maior destaque na História da Igreja neste período foi, sem dúvida, as perseguições realizadas pelos Imperadores Romanos. Estas perseguições duraram até o ano 313 AD, quando Constantino, o primeiro Imperador Romano, " cristão ", fez cessar todos os propósitos de destruir a Igreja.

A de ressaltar que durante este período houve épocas em que as perseguições foram mais amenas.

No início do segundo século, os cristãos já estavam radicados em quase todas as nações, e alguns crêem que se estendia até a Espanha e Inglaterra. O número de membros da comunidade cristã subia a muitos milhões. A famosa carta de Plínio ( Governador da Bitínia - hoje Turquia ) ao Imperador Trajano, declara que os templos dos deuses estavam quase abandonados, enquanto os cristãos em toda parte formavam uma multidão, e pertenciam a todas classes , desde a dos nobres, a até a dos escravos.

Os Perseguidores

Imperador Trajano 98 a 117 AD - Estabeleceu a Lei, que sendo o cristão acusado de qualquer coisa, e não negando a fé, seria castigado. Mandava crucificar e lançar às feras.

Imperador Adriano 117 a 138 AD - Morreu em agonia, gritando, " Quão desgraçado é procurar a morte e não encontrar ".

Imperador Marco Aurélio 161 a 180 AD - Mandava decapitar e lançar às feras. Apesar de possuir boas qualidades como homem e governante justo, contudo foi acérrimo perseguidor dos cristãos. Opunha-se, pois, aos cristãos por considerá-los inovadores. Milhares foram decapitados e devorados pelas feras na arena. Os Imperadores acima mencionados, foram considerados como os " bons imperadores ", nenhum cristão podia ser preso sem culpa definida e comprovada. Contudo, quando se comprovava acusações e os cristãos se recusavam a retratar-se, os governantes eram obrigados, a por em vigor a lei e ordenar a execução.

Comodus (180-193) Foi o imperador mais favorável aos cristãos que todos os anteriores.



Imperador Severo 193 a 211 AD - Mandava decapitar e lançar às feras. Iníciou uma terrível perseguição que durou até à sua morte em 211 AD. Possuía uma natureza mórbida e melancólica; era muito rigoroso na execução da disciplina. Tão cruel fora o espírito do imperador, que foi considerado por muitos como o anticristo.

Imperador Décio 249 a 251 AD - Décio observava com inveja o poder crescente dos cristãos, e determinou reprimi-lo. Via as igrejas cheias enquanto os templos pagãos desertos. Por conseqüência, mandou que os cristãos tinham que se apresentar ao Imperador para comunicar e religião. Quem renunciava recebia um certificado, que não renunciava era considerado criminoso e conduzidos às prisões e sujeitos às mais horrorosas torturas.

Galenius (260-268) Não houve mais perseguições até o período de Diocleciano

Imperador Diocleciano 305 a 310 - A última, a mais sistemática e a mais terrível de todas as perseguições deu-se neste governo. Em uma série de editos determinou-se que : - Todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. - Todos os templos construídos em todo o império durante meio século, fossem destruídos. - Todos os pertencentes as ordens clericais fossem presos. - Ninguém seria solto sem negar o Cristianismo. - Pena de morte para quem não adorasse aos deuses. Prendiam os cristãos dentro dos templos e depois ateava fogo. Consta que o imperador erigiu um monumento com esta inscrição " Em honra ao extermínio da superstição cristã ".

Os Principais Mártires

Inácio Provável discípulo de João, bispo em Antioquia, foi condenado no ano 107 AD por não adorar a outros deuses. Foi morto como mártir, lançado para as feras no anfiteatro romano, no ano 108 ou 110 enquanto o povo festejava. Ele estava disposto a ser martirizado, pois durante a viagem para Roma escreveu cartas às igrejas manifestando o desejo de não perder a honra de morrer por seu Senhor.

Policarpo Bispo em Esmirna, na Ásia Menor, morreu no ano 155. Ao ser levado perante o governador, e instado para abandonar a fé e negar o nome de Jesus, assim respondeu: " Oitenta e seis anos o servi, e somente bens recebi durante todo o tempo, Como poderia eu agora negar ao meu Salvador ? Policarpo foi queimado vivo.

Justino Mártir Era um dos homens mais competentes de seu tempo, e um dos principais defensores da fé. Seus livros, que ainda existem, oferecem valiosas informações acerca da vida da igreja nos meados do segundo século. Seu martírio deu-se em Roma, no ano 166.

Os Efeitos Produzidos pelas Perseguições

As perseguições produziram uma igreja pura pois conservava afastados todos aqueles que não eram sinceros em sua confissão de fé. Ninguém se unia à igreja para obter lucros ou popularidade. Somente aqueles que estavam dispostos a ser fiéis até a morte, se tornavam publicamente seguidores de Cristo.

A Igreja multiplicava-se. Apesar das perseguições ou talvez por causa delas, a igreja crescia com rapidez assombrosa. Ao findar-se o período de perseguição, a igreja era suficientemente numerosa para constituir a instituição mais poderosa do império.

O fato de serem de curta duração criou as condições pelas quais "o sangue dos mártires foi a semente da Igreja" As perseguições universais, mostraram que a igreja estava "gorda" nestes séculos, e a perseguição intensa, universal e demorada arrasou a Igreja. Muitos negaram a fé, outros tantos forma exilados do império. Mesmo assim a lista daqueles que deram sua vida pela fé nas perseguições de Décio a Diocleciano foi muito grande. A Igreja conseguiu sobreviver e crescer ainda mais devido à relativa paz de 40 anos entra as duas perseguições e o Edito de Milão.



O Crescimento e a Expansão da Igreja

O crescimento e a expansão da Igreja foi a causa da organização e da disciplina. A perseguição aproximou as Igrejas e exerceu influência para que elas se unissem e se organizassem. O aparecimento da heresias impôs, também, a necessidade de se estabelecerem alguns artigos de fé, e, com eles, algumas autoridades para executá-las.

Outra característica que distingue esse período é sem dúvida, o desenvolvimento da doutrina. Na era apostólica a fé era do coração, uma entrega pessoal a vontade de Cristo. Entretanto no período que agora focalizamos, a fé gradativamente passara a ser mental, era uma fé do intelecto, fé que acreditava em um sistema rigoroso e inflexível de doutrinas. O credo Apostólico, a mais antiga e mais simples declaração da crença cristã, foi escrito durante esse período.

Nesta época surgiram três escolas teológicas. Uma em Alexandria, outra na Ásia Menor e outra na África. Os maiores vultos da historia do Cristianismo passaram por essas escolas: Orígenes, Tertuliano e Cipriano.



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